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Política - Manoela Pimenta busca herança política no Sertão Central do Ceará

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Política - Manoela Pimenta busca herança política no Sertão Central do Ceará
Política - Manoela Pimenta busca herança política no Sertão Central do Ceará (Foto: Reprodução)

O Jornal O Estado CE conversou com a pré-candidata a deputada estadual, Manoela Pimenta (PSB). Considerada um dos principais nomes da articulação política no Sertão Central cearense, Manoela discute especulações em torno de seu nome para vice-governadora de Elmano, sua mudança de partido e os impactos do Porto Seco no Sertão Central. Também defendeu a descentralização da saúde no interior e comentou os motivos que a levaram a entrar na política.

O Estado. Manoela, você é filha de Pedra Branca ou de Quixeramobim?

Manoela Pimenta. Sempre me perguntam, essa disputa é boa. Sou natural de Quixeramobim, minha família e raízes são de Quixeramobim, mas ao casar com o Matheus Góis fui à Pedra Branca e fui muito bem recebida, acolhida, ganhei uma nova família. Hoje tenho o título de cidadã pedrabranquense com muito orgulho, Pedra Branca ganhou meu coração. E aqui tem espaço para Quixeramobim, Pedra Branca e muitas outras cidades.

OE. Recentemente seu nome foi ventilado para vice de Elmano. Parece que foi dito numa reunião da cúpula da situação o seu nome, o da Gabriella Aguiar, Fernanda Pessoa, Lia Gomes. Há alguma articulação nesse sentido?

MP. Para mim foi uma surpresa aquele burburinho. Acredito que seja especulação, estamos nesse momento de negociações. Mas fiquei feliz do meu nome ter sido citado. Temos grandes mulheres no estado para poder ocupar esse cargo: Gabriela Aguiar, Lia Gomes, Jade Romero está sendo uma grande vice-governadora…mas confesso que fiquei lisonjeada em ver meu nome naquela relação.

OE. Vou insistir nessa pergunta porque recentemente você trocou de partido. Você saiu do partido do PSD do Domingos Filho e foi para o partido do Cid Gomes, PSB. Se no fechar das movimentações te derem essa oportunidade?

MP. Claro que sim, seria uma honra representar o nosso estado na posição de vice-governadora, não tenho dúvidas que ficaria muito feliz e estaria disposta a trabalhar bastante pelo nosso povo, que é o nosso principal interesse.

OE. Ficou alguma ruptura ou rusga em relação ao Domingos Filho?

MP. De forma alguma. Eu era do PSD, liderada pelo Domingo dos Filhos. Fui muito bem recebida, acolhida, tive muito espaço, voz e muita vez. Minha passagem pelo PSD foi valiosa. Mas por questões políticas da cúpula, fui convidada pelo senador Cid Gomes para migrar para o PSB, que é o partido do meu pai também. Foi tudo em comum acordo, acredito que é uma soma de forças. A amizade com o Domingos continua, e com a força política do senador Cid Gomes acredito que só temos a ganhar e o povo também.

OE. O que se fala muito é a chegada do Porto Seco em Quixeramobim. O que é importante fazer até a chegada do Porto Seco na região?

MP. Essa é uma oportunidade única em cem anos. É hora de ter uma representação para preparar todo aquele território do sertão central para quando o Porto Seco chegar estar preparado para crescer junto. Quantas empresas, investidores que estão de olho naquela região nesse momento, para estar perto do Porto Seco, da Transnordestina? Precisamos focar na capacitação e qualificação da mão de obra. Nosso grande potencial de riqueza no sertão central é o setor agrícola. Temos muito que ajudar o nosso produtor rural a se profissionalizar, baixar o custo de produção, melhorar a qualidade do seu rebanho, a qualidade dos produtos para que consigam ter um selo e vender de forma competitiva. Hoje é muito desleal um pequeno produtor competir com grandes laticínios, grandes empresas. Eles acabam vendendo esses produtos muito abaixo do preço de mercado. Precisamos dessa ajuda para que o produtor rural consiga baixar seu custo, melhorar a qualidade, entrar no mercado de forma mais competitiva.

OE. O Hospital Regional do Sertão Central (HRSC), em Quixeramobim, foi avaliado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), com 100% de conformidade em relação às práticas de segurança com os pacientes. O que é importante fazer para que isso se pulverize nas cidades do Sertão Central?

MP. Essa política de descentralização começou quando o senador Cid Gomes era o nosso governador. Então foi uma ação pioneira e importantíssima que mudou todo o rumo ali das pessoas do Sertão Central. Antigamente, em relação à saúde, as pessoas tinham que pegar horas e horas de estrada nas ambulâncias para chegar em Fortaleza, ficar nos corredores de hospitais muitas vezes superlotando os hospitais. Na época, o Cid construiu alguns hospitais regionais, inclusive o de Quixeramobim e outros na região, o que desafogou bastante, mudou a realidade das pessoas. Houve também a criação das policlínicas, com especialidades. Então tem as policlínicas regionais que têm as especialidades. Tem o Centro de Especialidades Odontológicas (CEO), serviço especializado de odontologia. Como dentista, sei da importância desses CEOs. Essa descentralização já começou lá atrás e vem sendo continuada e melhorada. Há dois anos atrás, em Pedra Branca, o Matheus Góis, meu marido, era o vice-presidente do CODESUL, um consórcio das cidades do Sertão Central. Eles sentaram com os 10 prefeitos e o governador Elmano pedindo para adicionar no Sertão Central a questão da oncologia e traumatologia. E dois anos depois foi implantado. Hoje é uma realidade no hospital de Quixeramobim esse tratamento para o câncer e a traumatologia, tão importante nos interiores.

OE. As prefeituras têm a obrigação do atendimento básico. Mas ás vezes falta nesses municípios, não é isso?

MP. Temos muito o que melhorar. A questão salarial, estrutura física, mas já existe esse atendimento primário e com essa essa ajuda por trás do atendimento secundário e terciário, a população fica melhor assistida no seu interior. Claro que temos que avançar, melhorar. Nossa luta é essa, tentar descentralizar todos os serviços para os municípios. Para essas pessoas poderem ser bem assistidas na sua cidade, não ter que sofrer pegando estrada para ter atendimento. Queremos que os nossos jovens nasçam, estudem com qualidade, tenham saúde, educação boa e capacitação, geração de empregos sem ter que sair da cidade. Precisamos mover todas as forças possíveis para que o interior seja um lugar bom de se viver e de se permanecer.

OE. Por que você decidiu ser pré-candidata à deputada estadual no Ceará? É uma questão de poder?

MP. Nunca tive essa ambição. Cresci dentro da política por causa do meu pai, sempre acompanhei de longe, com admiração e orgulho. Vi o quanto a boa política é transformadora. Fui vendo uma cidade se transformando, uma sociedade tendo melhor qualidade de vida, mas sempre nos bastidores. Quando fui primeira-dama de Pedra Branca, me apaixonei em colocar a mão na massa. Coloquei meu nome à disposição para ser pré-candidata a deputada estadual vendo a necessidade das pessoas, sentindo nos olhos das pessoas essa esperança de ter alguém para falar pelos mais necessitados, pelo nosso interior e que precise desse olhar cuidadoso e desse amor que tenho pelo nosso sertão e interior. Se o povo quiser e me der essa oportunidade, será um grande orgulho e alegria e farei, com certeza, valer essa confiança.


COM INFORMAÇÕES O ESTADO CE


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