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QUIXADÁ - Descaso e mordomias: cidadã enfrenta humilhação e idosa tem direito negado em serviço público de Quixadá

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QUIXADÁ - Descaso e mordomias: cidadã enfrenta humilhação e idosa tem direito negado em serviço público de Quixadá
QUIXADÁ - Descaso e mordomias: cidadã enfrenta humilhação e idosa tem direito negado em serviço público de Quixadá (Foto: Reprodução)

O brasileiro já se acostumou à contradição absurda que sustenta a máquina pública: paga uma das cargas tributárias mais altas do mundo e, em troca, recebe escolas que desabam, hospitais que faltam insumos, estradas que viram crateras e um atendimento que oscila entre a incompetência e a grosseria.

Enquanto isso, as autoridades eleitas e não eleitas – nos três poderes – desfrutam de saúde de ponta, educação de elite, lagosta, picanha, combustível e carros oficiais bancados com o suor de quem mal consegue chegar ao fim do mês.

Esse abismo entre quem paga e quem serve fica ainda mais nítido quando olhamos para os municípios. Em Quixadá, no sertão central do Ceará, o serviço público não decepciona – decepciona sempre para baixo. E um exemplo recente escancara a humilhação diária imposta ao cidadão comum: o simples ato de tirar a carteira de identidade virou uma verdadeira via-crúcis.

“Liguei 11 vezes na frente da atendente e o telefone não tocou”

Na manhã desta terça-feira (02/06/2026), a contribuinte Ana decidiu, após centenas de tentativas frustradas por telefone, ir pessoalmente ao posto de identificação localizado no terminal rodoviário da cidade. O objetivo era agendar a simples emissão do seu RG – um direito básico, tratado como favor.

Lá chegando, foi recebida por um funcionário cuja principal qualificação parece ser o desprezo ao público. Atendimento grosseiro, respostas ríspidas e desdém completo. Ao questionar sobre a dificuldade do agendamento, ouviu do servidor: “Reclame com o secretário Armstrong Braga”.

Antes de seguir para o gabinete da Secretaria Municipal de Segurança Pública, Trânsito e Cidadania, Ana testemunhou uma cena estarrecedora: uma idosa de mais de 80 anos, visivelmente debilitada, foi informado pelo mesmo funcionário que “teria que ficar na fila lá fora” para poder ser atendida. Nenhum respeito ao Estatuto do Idoso (Lei 10.741/2003), que garante prioridade absoluta. Nenhum reconhecimento por uma vida de contribuições à cidade. Ana interveio, tentou apelar à sensatez, mas foi ignorada. A idosa (88 anos), tratada como lixo humano, seguiu para lado de fora da sala e foi para a fila ao relento.

Secretário “em reunião” (mas não estava) e telefone fantasma

Indignada, Ana dirigiu-se à sede da secretaria no andar superior da rodoviária. A atendente informou que o secretário Armstrong Braga estava “em reunião”. Questionada sobre quem o substituía, respondeu: “ninguém”. Ana voltou ao posto de identificação. A atendente local insistia: “só por telefone”. Foi quando a cidadã fez algo simples e devastador: ligou na frente dela.

Pegou o celular colocou no "viva voz" e discou 10 vezes seguidas para o números divulgado. Nenhum toque. Mensagem de “ocupado” constante, mesmo com os dois telefones silenciosos sobre a mesa. Na 11ª tentativa, curiosamente, o aparelho tocou. O agendamento foi marcado. Em frente à atendente, que ficou sem saber o que dizer.

Secretário culpa Estado, operadora e pede denúncia formal

A reportagem procurou o secretário Armstrong Braga. Curiosamente, na secretaria, sua própria atendente disse que ele não iria ao local naquele dia. Depois de algumas horas o secretário ligou para nossa redação e em sua defesa, pelo o telefone do WhatsApp Braga alegou:

Que a emissão de identidade não é competência da prefeitura, e sim do Estado (via PEFOCE - Perícia Florence do Ceará);

Que o Estado não fornece funcionários, sendo o município quem banca o serviço;

Que o prazo de entrega do documento foge ao seu controle;

Que, sobre o mau atendimento, as vítimas devem formalizar denúncia na ouvidoria;

E que a dificuldade de agendamento por telefone se deve à “grande demanda” e as vezes à “ineficiência da operadora”.

Respostas burocráticas para um problema humano. O cidadão que paga seus impostos não quer saber quem é o responsável final – quer respeito. E respeito não se pede por denúncia formal depois de ser humilhado; respeito se pratica na hora do atendimento.

A falácia dos palácios e a propaganda enganosa

Enquanto governos FEDERAL, ESTADUAL E MUNICIPAL estampam campanhas publicitárias irreais (pagas pelo cidadão) nas redes sociais e na mídia tradicional – “saúde humanizada”, “educação - Escola NOTA 10”, “segurança que protege” – as autoridades e suas famílias seguem sem pisar em um posto de saúde pública, sem matar seus filhos em escola estadual/municipal, sem depender do mesmo serviço de identificação que trata idosos com desdém.

A razão é simples: para quem tem privilégio, o serviço público é outro. Os palácios oferecem hospitais de excelência, educação de primeira linha para seus filhos, restaurantes com lagosta, picanha, vinhos e segurança pública para eles e seus familiares. O povo, que paga tudo isso, ganha migalhas e grosseria.

O caso de Quixadá não é exceção. É um espelho do Brasil.

Conclusão: o dinheiro dos nossos imposto não exige caridade. Exige respeito.

A sociedade não pode mais aceitar esse desdém institucionalizado. A Secretaria Municipal de Segurança Pública, Trânsito e Cidadania, nas figuras de seus servidores e de seu secretário, precisa entender que o contribuinte não é um estorvo – é o único motivo de existência da máquina pública.

Que o caso da senhora Ana e da idosa anônima sirva de alerta. Enquanto as autoridades se esconderem atrás de “reuniões”, números de telefone que não funcionam e funcionários que tratam o público como gado, a frase continuará verdadeira:

"O povo brasileiro paga imposto de primeiro mundo e recebe serviços de país de terceiro mundo."

ACORDA, BRASIL! ACORDA, CEARÁ!, ACORDA, QUIXADÁ!

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Wanderley Barbosa

Jornalista e Radialista profissional

Associação da Imprensa do Sertão Central – AISC

Delegado do Sindicato dos Radialistas e Publicitários do Ceará – SINDRADIOCE

Associado da ABI e ACI

Editor do site Foco no Assunto

wanderleybarbosaw@gmail.com

(88) 996535555 (WhatsApp)

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